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Konayuki
- Vamos.
- Não.
- Eu não estou te dando uma chance.
- Eu não estou pedindo um conselho.
Um suspiro resignado.
- Já é hora de parar com isso... - braços se cruzaram e o pé
direito começou a bater insistentemente no chão, como uma mãe que desaprova
o gesto do filho travesso.
- Eu decido isso.
- Não decide.
- Vá para casa.
- Não vou sem você.
- Eu estou dando uma ordem.
- Eu não vou acatá-la.
- Eu mando nessa banda.
Uma risada amarga.
- Você está vendo uma banda ao seu redor para comandar? - os
braços se abriram e indicaram a sala grande onde costumavam ensaiar, agora
vazia - Portanto, eu não preciso seguir as suas ordens.
Um som de desaprovação.
- Engraçado isso, Aiji. A sua suposta confiança no palco acabou
virando uma confiança real.
Passos rápidos. O braço do homem que não se movia à janela foi
capturado pela mão quente da segunda pessoa, o tom de voz muito menos cruel.
- Mais engraçado ainda é ver você que tem tanta confiança fora de
cena agir assim, Kirito.
Olhos escuros continuavam a fitar a neve que caía do lado de fora,
sem se importar com o quê acontecia ali dentro daquela sala, com ele ou
Aiji, com qualquer pessoa. Não importa o que aconteça, a neve continuará
seguindo seu curso.
- Vá para casa, Aiji.
- Não. - ele continuou, teimoso.
- Eu não vou sair daqui tão cedo.
- Então eu vou ficar até você ir embora.
Ruídos leves de tecido contra tecido foram ouvidos, e um volume
ligeiramente pesado caiu sobre os ombros do homem imóvel.
- Vista isso, Kirito. Está frio.
- Eu não sinto nada. E você precisa mais disso do que eu. - o
homem de semblante melancólico acrescentou, vendo a reflexão do outro homem
na janela. Por mais que não vestisse nada pesado, sua mão era quente,
irradiava um calor confortável.
Um silêncio longo se seguiu, interrompido novamente pelo homem
mais novo.
- Você... Tem certeza que esse é o melhor jeito?
Antes que o homem moreno pudesse responder, sentiu o peso de uma
cabeça se apoiando no seu ombro.
- ...Não sei, Aiji.
- Então por que você não tenta agir de outro jeito, Kiri?
O homem imóvel à janela se assustou com a suavidade na voz do seu
colega.
- Por que se preocupa tanto, Aiji?
- Porque eu te amo.
As palavras parecem ecoar e soar muito mais altas do que eram
realmente; um período de silêncio grave se seguiu sobre os dois, nenhum
deles se movendo ou dizendo alguma coisa. E a neve continua a cair, sem se
dar conta do que presenciava.
O homem moreno sentia que seu braço e seu corpo haviam esquetado
bastante; provavelmente, pela roupa e pelo contato com o seu guitarrista,
mas por dentro, ele continuava gelado.
Até ouvir as últimas três palavras.
Rapidamente e sem aviso, o guitarrista foi prensado contra a
janela, o frio do vidro contra o seu corpo por trás, enquanto o calor
recém-surgido do corpo do outro homem pressionava sua forma alta e lânguida
pela frente.
Lábios desesperados acharam o seu caminho, lambendo, mordendo e
beijando lábios igualmente ansiosos, mas ligeiramente surpresos.
Respirações rápidas e ofegantes.
- Talvez... Talvez seja isso que você precise, Kirito.
- Talvez.
Um sorriso no escuro, iluminado pela pouca luz que vinha de fora.
- Um amor para curar uma perda?
Uma risada suave.
- Sim.
Bocas em contato novamente, mãos que corriam com alguma incerteza
por corpos muito familiares, mas até então desconhecidos sob os novos
aspectos que se descortinavam naquela sala. Um casaco escorrega
delicadamente dos ombros do vocalista, ficando no chão.
- Você pode me fazer esquecer, Aiji?
- Posso fazer você superar, Kirito.
Um segundo sorriso. Dessa vez, correspondido. E a neve continuava
a cair do lado de fora, mas cada floco parecia mais brilhante agora.
FIM
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